A Sociedade Sufista Muçulmana de São Paulo, tem como finalidade divulgar o islamismo de uma maneira clara e objetiva. Na época atual nunca foi tão urgente levar esta mensagem milenar as pessoas,trazendo o islam para um cenario totalmente moderno, onde se encontra seu verdadeiro desafio. Traremos também atenção as praticas sufistas e seus beneficios para acalmar corações, fazendo nos aproximar de Deus.Este é nosso objetivo,e que Deus abençoe nossos esforços. Contato:ricardoahmad7@gmail.com
terça-feira, 30 de outubro de 2012
O Que Podemos Entender Como Sufismo
Uma definição de Sufismo, a partir de seu nome é algo difícil de ser feito, visto
haverem várias formas de interpretar a sua raiz arábica: SF. Uma das interpretações mais
em voga é a que o Sufi é aquele que faz uso do manto rústico tecido de lã (sûf) enquanto
que outra linha de interpretação faz derivar o nome do sopro do conhecimento místico que
nasce do coração (Sôf). Uma terceira linha faz nascer o nome não de uma raiz árabe, mas
sim grega, Sophos, ou conhecimento.
De qualquer maneira, a forma mais aceita de interpretar o Sufi e o Sufismo é
utilizando não a sua origem lingüística, mas sim os seus objetivos: em termos gerais, o Sufi
é todo aquele indivíduo que acredita que é possível ter uma experiência direta de Deus e
que está preparado para sair de sua vida rotineira para se colocar debaixo das condições e
meios que lhe permitam chegar a este objetivo. Neste contexto, o Sufi é considerado como
o protótipo de todo místico que busca a União. Um exemplo vívido nos é apresentado por
Djalalludin Rumi.
O Sufismo é atualmente mais equacionado com uma forma islâmica de misticismo,
que tende a abraçar diferentes maneiras e tipos de técnicas, mas todas voltadas a uma busca
de uma comunhão direta entre Deus e o homem. É uma esfera de experiência espiritual que
corre em paralelo com a prática do Islão, que deriva da revelação profética e se desenvolve
na Shari’a e na teologia muçulmana. Como religião codificada, o Islão não pode admitir
que a experiência mística possa ocorrer em paralelo e como experiência pessoal única, o
que gerou as tensões e questionamentos que o Sufismo islâmico sempre sofreu ao longo de
sua trajetória. O objetivo tanto do Islão quanto do Sufismo é conduzir o praticante em
direção à Verdade ou Realidade. Dentro do Islão como religião revelada, tal objetivo seria
obtido através da prática dos preceitos religiosos enquanto que no Sufismo, além destes
preceitos, entrariam também em jogo uma série de fatores intuitivos e emocionais que,
segundo a teoria do Sufismo, estariam dormentes na maioria dos seres humanos e que, sob
uma supervisão correta, poderiam ser despertos e desenvolvidos. Este desenvolvimento
recebe o nome de Caminho e o viajante no caminho (salak at-tariq) busca eliminar os véus
que ocultam a sua experiência do Real e assim, vir a transformar-se ou absorvido na
Unidade indiferenciada. Embora não seja um processo intelectual, o Sufismo acabou
gerando uma série de formulações teórico/práticas que constituíram verdadeiras linhas
filosófico/místicas que acabaram se constituindo em verdadeiras formas de reação contra
um Islão cada vez mais sistematizado em termos de leis e teologia sistemática, objetivando
uma liberdade espiritual através da qual os sentidos espirituais intrínsecos do ser humano
pudessem ser amplamente utilizados. Os vários caminhos (turuq, tariqa no plural) estão
preocupados com este objetivo e não na justificativa religiosa ou não.
O Sufismo inicial representava uma expressão natural da religião pessoal em
contraposição à expressão religiosa do grupo. Era a afirmação do direito pessoal em seguir
uma vida de contemplação e de busca de contato com a fonte de ser e realidade, acima de
qualquer forma institucionalizada de religião baseada em mera autoridade, numa relação
Mestre-Discípulo unilateral, com sua ênfase na observância ritual e num moralismo
legalístico. O espírito da piedade Corânica acabou fluindo para dentro das vidas e práticas,
assumindo formas de expressão diversas, como encontradas no zickr (rememoração), dos antigos ascetas (nussak) e devotos (zuhhad). Estes buscadores, depois de obterem uma
experiência de comunhão direta com Deus garantiam que o Islão não estava confinado
dentro de uma diretiva moralística. Seus objetivos eram de alcançar uma percepção ética.
O Sufismo teve seu desenvolvimento dentro do corpo da religião Islâmica e, na sua
origem pouco deve a influências não-muçulmanas, embora recebendo algumas tinturas da
vida ascetico-mística cristã e do pensamento do Cristianismo Oriental. Os mestres iniciais
estavam mais preocupados com as experiências do que com a teorização teosófica.
Buscavam mais guiar que ensinar, direcionando o aspirante ao longo das suas experiências,
buscando sempre um conhecimento isento dos perigos da ilusão, através do qual o aspirante
pudesse obter um acesso à verdade espiritual. Na prática, o Sufismo consiste em
sentimentos, percepções e revelações, ou insights pessoais que são alcançados através de
uma série de passagens por estados de êxtase. Assim, o ensinamento se seguiria à
experiência. Neste caso, o êxtase seria entendido como fases distintas de negação de
aspectos prévios do ser e a incorporação de novos estados e a ativação de novas
potencialidades, sendo que este processo sempre é acompanhado de sentimentos,
emocionalidades e intuições que nada tem a ver com o êxtase na sua definição mais
‘mediúnica’ de negação (ou suspensão temporária) da consciência pessoal. Aqui é feita
uma distinção entre as duas formas de expressão externa da experiência do postulante: o
estado de êxtase (ghalaba, defendido por Bistami), onde o indivíduo demonstra, através de
gestos, palavras, cânticos ou até mesmo pela alteração de seus comportamentos e presença
física, aquilo que está experimentando internamente e na sobriedade (sahw, defendido por
Junaid), onde o indivíduo não deixa transparecer nada aquilo que lhe está acontecendo.
Com o passar do tempo, esta última postura tornou-se a mais valorizada, pois era
considerada como ‘segura’ pela ortodoxia religiosa.
Os grupos sufis iniciais eram bastante frouxos e mutáveis, com os discípulos
viajando em busca de mestres, outros ganhando seu sustento com trabalho e outros
mendigando. Aos poucos vão se formando locais de reunião para tais tipos de viajantes e
cada um estava associado com algum tipo de função: as hospedarias, em certas regiões da
Arábia (ribats) tem esta origem, no Korasan, estes locais estavam associados com casas de
repouso, hospitais e hospícios (khanaqah) enquanto que outros eram retiros (khalwa ou
zawya), geralmente sob a orientação de um diretor espiritual. Com o tempo, todos estes
termos passaram a representar um local de reunião sufi. Já no século XI encontramos
estruturas Sufi, com locais de reunião, exercícios espirituais, meditação e retiros bem
organizados, embora o pessoal que deles participava ainda era bastante infreqüente e que
migravam de mestre a mestre. Com o passar do tempo começaram a dispor de um pessoal
mais permanente e finalmente, assumiram as características de verdadeiras linhagens
espirituais, abrindo o caminho para um processo de institucionalização. Assim surgem as
ordens Sufi, geralmente girando ao redor do místico fundador, e surge o processo de
admissão de um postulante à uma Silsila (cadeia contínua de autoridade e de transmissão de
conhecimento). Freqüentemente uma Silsila, por um processo de desdobramento ou de
quebra, dá origem a outras linhagens que lhe são parentes, criando uma infinidade de subordens que irão, por sua vez passar pelo mesmo processo. Tal mecanismo está em franco
desenvolvimento nos dias atuais, principalmente devido ao fato do grande interesse dos
Ocidentais por estas Ordens, o que facilitou este processo de multiplicação. Em termos esotéricos, o Sufismo não se diferencia da busca pela União que já é
encontrada nas propostas místicas anteriores ao Islão, a Cabala Judáica, as propostas
Platônicas e Neo-Platônicas, o Gnosticismo e o Misticismo Cristão precederam e deram um
embasamento para o Sufismo Islâmico. Dentro deste contexto maior, o Sufismo, assim
como as formas que lhe precederam recebem o nome de Trabalho, ou seja, o processo ativo
de aperfeiçoamento do indivíduo para que este se torne capaz de perseguir o fim último de
seu ser: a União Mística com o Absoluto. Nesta perspectiva não seria possível estabelecerse qualquer diferencial entre uma linha com outra, afora as diferenças exteriores de
apresentação e contexto cultural. Essa é uma das formas de entender o que é chamado de
Tradição Perene, ou Filosofia Perene, que representa a essência dos conhecimentos e
praticas capazes de conduzir o individuo a um desenvolvimento harmônico de suas
potencialidades. Assim cada uma destas linhas e escolas, que tentaram preservar e
desenvolver este conhecimento, são expressões desta Tradição Perene em diferentes épocas
e culturas. Cada uma delas assumiu uma forma especifica, mística, religiosa, artística,
filosófica ou cientifica, de acordo com o momento em que surgiram e se desenvolveram.
Assim o problema fundamental que se apresenta ao postulante é o mais crucial de
todos: o que ele realmente deseja; a busca da União, com tudo que isto representa ou a
busca de um apoio religioso e institucional. Isto com freqüência não é bem analisado pelo
postulante que acaba confundindo ambos os objetivos.
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